sábado, 10 de julho de 2010

Dois

O mais difícil – eu te digo
É construir a antiga intimidade
Aquela que tínhamos tu e eu, antes de nascermos.


E apenas sorri, olhando para o céu

Tentando lembrar de antigas nuvens e de asas.

Eu te pergunto o que aprendeste de novo

Ao longo desses milhares de anos.

Conversamos sobre amores e desamores
Sobre morrer centenas de vezes nos braços de alguém
Sobre misturar lágrimas com a água da chuva.


Somos feitos de passado.


Dançávamos devagar aquela música lenta de sensações

De descobertas dos outros e de nós mesmos

Enfim acreditando
Que construções novas sempre nascem dos escombros.

Cantávamos devagar uma canção milenar de amizade e de respeito

Que pode fazer dormir até o mais rígido insone

E amolecer o mais duro - meu e teu –
O mais duro e impenetrável peito.
(Saulo Roberto Barreto Matias)

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