sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Presença

Gostaria que você parasse de ser todo mundo.
Que não se confundisse com todas as pessoas.

Tire teus cheiros das ruas, esconda teus olhares dos meus.

Pare de me tomar de assalto e me fazer tocar em falsos ombros.


Gostaria de não encontrar você em todos os cantos da cidade.
Queria muito mesmo parar de me assustar.
Saia das praças, dos ônibus...

Não viva me assombrando, que eu te procuro não te sabendo lá.


Em três meses de fascínio eu te proseei tão fundo

Que meu coração te copia nos outros.

Você vive mais em todos os espaços do que em mim.
Tire seus sons dos locais por onde passo.

E que em todo esse tempo que me acostumei a você,

Possa me acostumar às tuas pseudo-aparições.

Que noventa dias são tão pouco pra tudo o que eu quero dar
.
E tanto pra tanto que tenho a receber.


Ana Célia (insana) Dias

Feliz 3 meses!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Dos espaços

Minha casa não tem janelas.
Mas sempre que você vem, põe paisagens no meu olhar, solta os pássaros da minha mente e desperta cada pôr-do-sol dos meus sonhos, libertando os orvalhos dos meus toques.

Minha casa também não tem quintal.
Mas sempre que você chega, sinto cheiro de jardim. Escuto o movimento dos girassóis a te acompanhar, sinto o espalhar de pólem e adivinho a grama crescendo sob o teu caminhar.

Na minha casa faltam tantas coisas...

Mas quando te comporta, ecoam risos e espalham-se abraços, arco-íris e cheiro de terra molhada.
Da tua despedida, sobra apenas o silêncio púmbleo, quebrado somente pelo bater do meu pulso irregular.
A saudade sai do seu recanto e se espalha em profusão, vazando pelas frestas e ganhando as ruas por onde você passa, tentando em vão te alcançar. Retorna murcha, frustrada e se recolhe sem se esconder: pra lembrar a falta que a casa sente.
E eu olho o relógio cruel e sarcástico que agora me provoca - preguiçoso!

Assim, tudo volta ao comum e pequeno. Até a tua volta com toda a poesia que ainda te farei.

Ana Célia (tua, sempre) Dias

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sozinha X Solitária

Estou só. Não solitária - sozinha!
E é muito bom escrever essa frase.

Estar solitária é não ter perspectivas de nada.
É esperar um não-sei-o-quê.

Solitária é uma ausência de um monte de coisas que poderiam ter sido. É vivenciar solidão sem chegar a lugar nehum. É saudade até de coisas que estão (e podem nem vir a ser) pra acontecer. Já sozinha, não!
É só uma questão de tempo mesmo.
Dói
pacas, mas fica a sensação maravilhosa de reencontro.
Dá pra ir vivendo.
A gente cria mil coisinhas na cabeça, mas conscientemente sabe que volta a se sentir bem!
(Parafraseando minha morenice) Então é isso.
Texto curto, saudade compriiiiida....

Mas no maior afã de que vai passar.
Cheirinho nenéns que eu quero dormir cedo pra quarta-feira chegar logo!

domingo, 5 de setembro de 2010

Desculpem mas eu não resisti!!


Haverá um dia em que todos voltaremos a ser felizes... Será o dia em que "Rosinhas" voltarão a ser apenas flores; "Garotinhos" apenas crianças; "Genuínos" serão coisas verdadeiras; "Serra" será apenas um acidente geográfico ou uma ferramenta; "Genro" apenas o marido da filha; "Lula" apenas um molusco marinho; e, "Severino", apenas o porteiro do prédio.

Onde quer que esteja

Tanto tempo é esse que me deixa em brasa
Os meus dias passam como papel solitário
Que o vento leva sem dar itinerário
Longe do meu corpo e da minha casa


Que relógio é esse que não sei se existe

Dentro do corpo ou fora da minha vida

Que se não soubesse de tua partida

Era mais ligeiro e muito menos triste


Que as horas insistem em se arrastar
Quando o teu corpo não está em mim

E a estática me corrói os dias

E no meu ninho frio só resta esperar
O teu braço amigo e suor sem fim

Que me completa de tuas alegrias

Ana Célia (caudalosa!) Dias

(Volte logo pra mim e me envolva com teu todo!)

sábado, 4 de setembro de 2010

De primeira grandeza

De Primeira Grandeza
Belchior

quando eu estou sob as luzes não tenho medo de nada
e a face oculta da lua que era minha aparece iluminada
sou o que escondo sendo uma mulher igual a tua namorada
mas o que vês, quando
mostro estrela de grandeza inesperada
musa,deusa,mulher cantora e bailarina

a força masculina atrai não é só ilusão
a mais que a historia fez e faz o homem se destina
a ser maior que deus por ser filho de adão
anjo, herói, prometeu, poeta e dançarino a glória feminina
existe e não se fez em vão e se destina
a vir ao gozo a mais do que imagina
o louco que pensou a vida sem paixão

À sombra de um vulcão

É... Sei que é parafrasear Fagner.
Mas é exatamente assim que me sinto.
É tão bom, tão confortável...
Mas não é seguro. Sei que parece ingratidão, mas vivo num medo absurdo.
É qualquer coisa como correr perigo constantemente.
Ter medo de fechar os olhos e não mais tê-lo quando abrir.
Coisas de mulher insegura, vocês podem dizer, mas uma das minhas melhores frases é: quem já levou chute na cara tem medo até de caixa de sapato.
É bom demais pra ser verdade.
Sou muito grata, nunca fui tão feliz. E tenho muitos amigos testemunhas disso.
Mas estou cansada de ser forte e encontrei um motivo pra me sentir frágil. E sabem de uma coisa: é muito bom!
Nunca dependi de ninguém e agora estou vivendo as delícias de ser vulnerável.
Esse texto é mais pra agradecer do que pedir. Adoro o meu blog. Ele me deixa a vontade pra ser eu mesma: ora sarcástica, ora sutil.
E hoje, estou misturando essas duas facetas pra dizer o quanto sinto a falta do meu braço forte e protetor. Do olhar que se derrama em mim como calda quente de um doce bom!
Da paciência de ouvir e ler minhas tolices e respeitar minhas perguntas sedentas de aprendizado.
Esse muito obrigado é seu. Por tudo o que me dá e que um dia eu possa vir a perder.
O medo está aí: forte, insistente e cruel.
Mas há muito mais segurança. Não sou mais avestruz. Sou águia. Predarora. Porém cuidadosa com os caçadores.
Cheirinhos nenéns e perdão pela pieguice. Mulher tem essas bobagens de vez em quando.
Até a próxima quando eu tiver textos mais edificantes.

"...Minhas noites novamente são azuis
Minhas tardes são douradas de verão
Você é o meu paraíso
A pessoa que eu tanto preciso
Com loucura e paixão
E rezo com o teu olhar
Eu gozo com a tua voz
Esse amor arrebenta com tudo
Parece até que o mundo
Não sobrevive sem nós..."
Raimundo Fagner