Mas sempre que você vem, põe paisagens no meu olhar, solta os pássaros da minha mente e desperta cada pôr-do-sol dos meus sonhos, libertando os orvalhos dos meus toques.
Minha casa também não tem quintal.
Mas sempre que você chega, sinto cheiro de jardim. Escuto o movimento dos girassóis a te acompanhar, sinto o espalhar de pólem e adivinho a grama crescendo sob o teu caminhar.
Na minha casa faltam tantas coisas...
Mas quando te comporta, ecoam risos e espalham-se abraços, arco-íris e cheiro de terra molhada. Da tua despedida, sobra apenas o silêncio púmbleo, quebrado somente pelo bater do meu pulso irregular.
A saudade sai do seu recanto e se espalha em profusão, vazando pelas frestas e ganhando as ruas por onde você passa, tentando em vão te alcançar. Retorna murcha, frustrada e se recolhe sem se esconder: pra lembrar a falta que a casa sente.
E eu olho o relógio cruel e sarcástico que agora me provoca - preguiçoso!
Assim, tudo volta ao comum e pequeno. Até a tua volta com toda a poesia que ainda te farei.
Ana Célia (tua, sempre) Dias
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