Se não podemos falar de amor
Falemos desta cama ainda quente
Onde cabem tantos dias
De corpos rotineiros
Da última vez que te disse adeus
Eu ia contar de altos voos
Recém colhidos do céu
Mas fazer o quê,
Se não podemos falar de amor?
Pelos menos perdoe a melancolia
Dos beijos velados
E dos desejos sentidos
Perder e nascer estão próximos
São irmãos diante de todo dia amanhecido
Também não sabem falar de amor
Mas neste quarto,
Tudo me fala de abraço
E conta histórias de futuro e respeito
Diante deles me disperso
Distraído nas janelas que poderiam ser meus olhos
Calados
Falando de amor pro único ouvinte céu.
Saulo Matias
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